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Herdade de Alvares





Era pertença do Mosteiro de Folques, antigo Convento dos Frades Crúzios (1162), situado em Arganil. Em carta de Foral de 1281 (1319 da era de César), é feita uma doação de terrenos a Martim Gonçalves e sua mulher Maria Viegas para que, seguindo o mote de D. Dinis, ?fosse roçada, lavrada e nela plantada vinhas e árvores?. O território ficou designado como Herdade de Alvares, havendo suspeitas de ter recebido o nome da terra de origem dos seus novos senhores ? Dalvares.

Por estar ?já velho e ilegível em algumas das partes?, os moradores pediram a substituição do documento, executada por D. Afonso V, por alvará de 10 de Abril de 1462, designando-a por ?concelho?, título que manteve até 1855. A 04 de Maio de 1514, D. Manuel I concede-lhe um dos seus Forais Novos, definindo direitos e deveres de tributo da população. A Herdade de Alvares abrange terrenos dos concelhos de Góis e Pampilhosa da Serra, sendo hoje uma referência histórica recuperada pelo orgulho da população nas suas origens.

Era rica em sobreiros, carvalhos, castanheiros e pinheiros, hoje muito substituídos por eucaliptal. É banhada pela Ribeira do Sinhel e pelo rio Unhais, parte da bacia hidrográfica do Tejo. Fruto da geografia acidentada da serra, as ribeiras multiplicam-se e é à sua volta que nascem inúmeras aldeias, construídas com a pedra da região, o xisto. Foram encontrados na região vestígios da passagem de povos Celtas, Normandos, Lusitanos, Romanos, Bárbaros do Norte (principalmente Godos e Visigodos) e ainda o Árabes Maometanos. No decurso da retirada do General Massena, na 3ª invasão francesa, muitos soldados optaram por ficar na região apesar dos grandes danos infligidos, chegando a fundar aldeias.

A extracção de minas da Escádia Grande, a produção industrial de lanifícios, algodão e de produtos resinosos ou celulose, o comércio de gado e madeira, vinho e azeite e os produtos cultivados na agricultura de subsistência constituíam as principais fontes de rendimento da população. As aldeias organizavam-se para manter forjas e azenhas partilhadas, pequenos estabelecimentos comerciais e profissionais que percorriam a região vendendo os seus serviços, do amolador à peixeira.